quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A renúncia como atestado da má conduta pública

O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) renunciou ao mandato, depois de alcançado pelo mensalão tucano. Menos por uma questão ética; mais por uma estratégia de evitar a cassação do mandato e assim permanecer com chances de voltar à Casa, a partir de uma candidatura nas eleições deste ano.

Também, na estratégia do tucano, fazer descer o processo para justiça de primeiro grau, ganhará tempo interminável no percurso do labirinto jurídico, o que o deixaria livre para continuar vivo na vida pública.

Azeredo procura se beneficiar de uma estratégia tão antiga quanto imoral, mas que permanece no Congresso.

Já utilizaram esse instrumento, políticos como Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Renan Calheiros (presidência do Senado) e mais recente quase uma dezena de deputados envolvidos em casos de corrupção, com destaque para a turma do mensalão.

Esse histórico ajudou a destruir a imagem do Congresso Nacional que insiste em não deixar transcorrer a sua reconstrução. Pelo contrário. Os exemplos negativos continuam surgindo paulatinamente, como se fosse regra a sequência de escândalos.

O leitor, porém, pode ressaltar que a renúncia desses malfeitores é um sinal de que o País está mudando. É não. Faz parte apenas de uma estratégia para que eles continuem perambulando pela vida pública. Ou alguém, mesmo inocente, duvida que daqui a pouco José Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha, Valdemar da Costa Neto, Azeredo, dentre outros, não estejam de volta à vida pública do País?

Outro ponto a ser observado, além da estratégia de recuar para voltar a atacar, como fazem os índios, é a fuga do voto aberto, recém-criado no Congresso. Nesse caso, os congressistas que estão na berlinda, além de evitar um prejuízo pessoal, preservam os colegas do constrangimento e do desgaste público.

Lembre-se que há pouco tempo o deputado Natan Donadon teve o seu mandato preservado sob o manto do voto secredo, mesmo ele estando condenado em última instância e preso no sistema penitenciário nacional.

Tão letal quanto esse de tipo de comportamento é a solidariedade de políticos a políticos marcados pela nódua da corrupção. Recentemente, vimos isso no Rio Grande do Norte, quando a ex-governadora Wilma de Faria (PSB) recebeu a solidariedade depois de ter o filho Lauro Maia (PSB) condenado à prisão pela Justiça Federal, como líder de um esquema criminoso que desviou pelo menos 36 milhões de reais da saúde pública.

A solidariedade é como se eles, os políticos, tivessem seu próprio código de ética, bem diferente da conduta do cidadão comum e honesto.

Mas, nada a fazer. Afinal, se eles continuam na vida pública, e na verdade continuam, é com a chancela do povo, que legitima seus mandatos com o voto, que é secreto.

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