sábado, 26 de abril de 2014

Collor e a Justiça pelo ralo


A absolvição do ex-presidente Collor de Mello pelo Supremo Tribunal Federal (STF) soou como um tapa na democracia e no sonho de justiça de uma geração.
Em 1984, o Brasil tinha sofrido uma grande derrota, ao tentar dar o primeiro passo para a redemocratização. A rejeição no Congresso das “Diretas Já” calou a voz de uma nação que viu mais um presidente ser imposto goela abaixo.
Tancredo Neves apareceu como vitória contra a Ditadura Militar, por ser o primeiro civil a ser escolhido para assumir o comando da Nação após 1964.
Mas, a verdade é que a tal da transição democrática foi apenas mais um teatro. Tancredo foi eleito pelo voto indireto, e isso, nem de longe, representa a vontade popular.
O eleitor brasileiro só pôde voltar às urnas (de verdade) em 1989, quando aconteceu o grande embate entre o sindicalista Lula, ainda com aquela velha cara assustadora, e o lorde caçador de marajás Fernando Collor de Mello.
Com apoio das grandes forças e corporações nacionais, incluindo a Rede Globo, da qual sua família é detentora de uma retransmissora em Alagoas, ele foi eleito, à custa de muita peleja e manipulação.
O início do governo Collor representava grande esperança para o povo sofrido, que vinha comendo o pão que o diabo amassou com José Sarney, que assumiu a presidência depois da morte de Tancredo Neves, que sequer chegou a assumir seu posto; morreu antes de tomar posse. Recessão, inflação e analfabetismo eram questões visíveis em um país maculado pela pobreza extrema e pelo descaso dos governos.
O caçador de Marajás, que assumiu em março de 1990, tornou-se a esperança, pelo menos até 1991, quando começaram as primeiras denúncias contra seu governo.
Duas figuras foram fundamentais para a sua queda: seu irmão Pedro Collor de Mello, que em entrevista à revista Veja revelou, em 1992, o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha Paulo César Farias, “PC Farias”, e Eriberto França, o motorista da secretária de Collor.
Este revelou para a revista Época que ele próprio pagava as despesas pessoais do presidente com dinheiro de uma conta fantasma mantida por PC, reforçando a tese do irmão do presidente. Diante disso, o Congresso instaurou uma CPI para apurar os fatos divulgados, e em 29 de setembro de 1992, Collor renunciou antes de sofrer um impeachment.
Em 2014, depois que o STF deu sinais de moralização do País ao cassar políticos de todas as espécies e botar mensaleiros na cadeia, absolve Collor de Mello, até então acusado de falsidade ideológica, corrupção passiva e peculato, por “falta de provas”. Simples assim, os ministros do Supremo jogaram pelo ralo uma das poucas justiças feitas neste País numa época em que acreditar nele era coisa de comunista.César Santos

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